◉Atualizado em 11/08/2026 · 19:32 (BRT)
Antiga e popular, mas às margens das estatísticas oficiais, a prática de recorrer aos terreiros para benzimentos ou conselhos segue viva. Para muitas comunidades, são os locais mais próximos de assistência emocional e de saúde. Exatos três anos após a Resolução 715/23 do CNS reconhecer o papel dos terreiros de religiões de matriz africana neste sentido, a medida é o ponto inicial do documentário “Do Ebó ao Abô: Práticas de Saúde nos Terreiros”, que abre a mostra Bauru na Tela, no Sesc da cidade, nesta terça-feira (11).
“Os terreiros ainda são uma importante porta de entrada para a população mais vulnerável em busca de cuidados de saúde, não só física, mas emocional e espiritual também”, explica uma das diretoras do documentário, a jornalista Joyce Rodrigues, que assina a produção com Paula Bettelli e Sarah Vitória Maria.

De acordo com Joyce Rodrigues, a ideia surgiu a partir de uma proposta de reportagem de Paula para o Jornal Dois, em 2023. “A proposta era conversar com profissionais da saúde e praticantes das religiões do centro-oeste paulista sobre a resolução. Porém, na mesma época abriu um edital da Lei Paulo Gustavo em Bauru. Achamos que seria interessante produzir um documentário. Foi um longo processo para liberar os recursos”. As diretoras conseguiram iniciar as gravações somente em 2025, em 10 dias de filmagens.
“A gente entendeu que era mais interessante ouvir as histórias que os praticantes das religiões de matriz africana tinham para contar e qual era a concepção dessas pessoas sobre como a saúde é mantida nos terreiros, em vez de focar apenas na normativa em si”, explica Joyce Rodrigues.

As diretoras trouxeram práticas e vivências de vertentes de umbanda, quimbanda e candomblé, nas tradições dos ramos litúrgicos Angola e Efom, com 12 entrevistados em vídeo, sem contar as etapas de pré-entrevistas e pesquisa.
“Durante os depoimentos surgiram muitos temas, que nem cogitávamos que entrariam no roteiro. A gente teve histórias sobre morte, luto, adoecimento mental, vivências de pessoas que foram levadas à religião a partir de questões de saúde e como funcionam os terreiros. Foi muito intenso, até por estarmos mergulhadas durante anos no projeto, conhecendo pessoas fantásticas e depoimentos fantásticos. Durante as gravações, ocorreu da equipe toda se emocionar com os depoimentos que a gente estava ouvindo”, conta Joyce.
A participação na mostra é a primeira exibição presencial do documentário desde a estreia online no final do ano passado. Segundo Joyce, a ideia das três diretoras é submeter o filme para outros festivais documentais. A mostra “Bauru na Tela” nesta terça-feira também exibe o filme “Semana do Hip Hop de Bauru: de Lá pra Cá, 15 Anos de História”, dirigido por Conrado Dacax. Na sexta-feira (14), serão exibidas as produções “Chegada”, “Som e Prosa” e “X-Slasher”. ■

Mostra Bauru na Tela
11 e 14/08. Grátis. Sesc Bauru. Confira sobre a programação completa e a retirada de ingressos aqui. Endereço: Avenida Aureliano Cardia, 6-71, Vila Cardia, Bauru (SP).