ZACH indica ‘Doutor Estranho 2’, ‘Iluminadas’, podcast ‘Crime e Castigo’ e mais

Entre as novidades, tem ainda a nova série com Elisabeth Moss, “Iluminadas”, novo disco do Arcade Fire e a obra mais recente de Renan Quinalha.
“Iluminadas”, novo cd do Arcade Fire”, “Doutor Estranho 2”, podcast “Crime e Castigo” e livro de Renan Quinalha são os destaques selecionados desta semana (Foto: Divulgação/ZACHPOST).

Atualizado às 17h42 de 16/05/2022

Junte suspense, ação frenética e a câmera nervosa que só Sam Raimi conhece como dirigir. ✶Estreia da vez, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” leva o universo cinematográfico estabelecido pela Marvel a desbravar o desconhecido. Para quem gostou de devorar o podcast “Praia dos Ossos”, a produtora Rádio Novelo acaba de lançar “Crime e Castigo”, documentário que amplia discussões sobre o sistema de Justiça no país. A indicação de livro desta semana é a obra mais recente do professor de Direito e ativista Renan Quinalha, uma análise aprofundada sobre a perseguição a LGBT+ na ditadura militar. Além disso, a banda canadense Arcade Fire está de volta após cinco anos com o novo álbum “We” e Elisabeth Moss, Wagner Moura e Jamie Bell são os principais destaques da nova série da Apple TV +, “Iluminadas”.

Podcast: “Crime e Castigo”

“Crime e Castigo é um podcast em 6 episódios” (Foto: Divulgação/Rádio Novelo).

Da mesma produtora que fisgou a atenção de quem é aficionado em podcasts de crime com “Praia dos Ossos”, narrativa documental sobre o homicídio de Ângela Diniz pelo então namorado Doca Street, réu confesso, e a percepção pública a respeito do caso, “Crime e Castigo” resgata uma série de casos criminais e como os conceitos borrados de “justiça” e “vingança” afetam a percepção da sociedade.

Apresentados por Bianca Vianna, os seis episódios da série trazem histórias reais de um filho assassinado, uma mulher violentada, um atropelamento, um estelionato, uma briga de vizinhos, um tiro acidental e um feminicídio, detalhados minuciosamente para abordar questões profundas sobre segurança pública, o que fazer com alguém que cometeu um crime hediondo e se a ideia de justiça é suficiente para atender anseios nem sempre delimitados. (Seis episódios, com mais de 50 min de duração cada; Disponível nas plataformas de áudio).

Cinema: “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”

A Fase 4 dos filmes da Marvel Studios chega ao ápice neste longa-metragem dirigido por Sam Raimi (“Homem-Aranha” (2002); “A morte do demônio”). Divertido, ágil e genuinamente assustador, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (confira o trailer a seguir) também entra na lista de sequências que superaram – e muito – os antecessores.

Recém saído da bagunça provocada pelos eventos de “Homem-Aranha: Sem volta pra casa”, o protagonista interpretado por Benedict Cumberbatch se depara com a adolescente em fuga America Chavez (Xochitl Gomez), cuja habilidade extraordinária consiste em atravessar as inúmeras realidades dentro do multiverso. Perseguida por criaturas interdimensionais, a jovem ainda não consegue controlar seus poderes.

Doutor Estranho e Wong (Benedict Wong) – alçado ao posto de Mago Supremo – tentam ajudar Chavez e evitar que tudo ao redor seja destruído diante dessa situação, o que os aproximam de outra figura poderosa, Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), bem à vontade assumindo o manto da Feiticeira Escarlate.

Elizabeth Olsen volta a interpretar a Feiticeira Escarlate em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (Foto: Divulgação)

Apossada do Darkhold, o famigerado livro dos condenados, Wanda está desolada pela perda de sua família criada em Westview. Enquanto nada é o que parece ser, a jornada insana e perigosa pelo multiverso se torna inevitável, juntando ameaças externas tanto desconhecidas quanto próximas, segundas intenções e reviravoltas.

Depois de uma década estabelecendo um rentável universo cinematográfico compartilhado entre várias franquias, a Marvel Studios quer manter o interesse dos fãs ao apostar em projetos diversificados e ousados, evitando o esgotamento da fórmula arrasadora nas bilheterias, ao mesmo tempo que manobra entre interesses corporativos, contratos milionários com grandes estrelas e desgastes criativos.

O esforço de malabarismo corporativo deu certo com Taika Waititi, que salvou do marasmo a franquia do deus do trovão em “Thor: Ragnarok” e com o elogiado trabalho de Ryan Coogler em “Pantera Negra”. Mas justamente na fase atual do estúdio e com o agravante da pandemia nos cinemas, a recepção morna de “Eternos”, “Shang Chi” e “Viúva Negra” suscitou várias dúvidas sobre o sucesso da sequência de “Doutor Estranho”. Para aumentar a pressão, a saída do diretor do primeiro filme, Scott Derrickson, por “diferenças criativas”, aumentou o receio do público com a chegada de Sam Raimi.

Embora o próprio seja familiarizado com o nicho de filmes de super-heróis ao ter introduzido o “Homem-Aranha” nos cinemas há 20 anos, Raimi estava distante das adaptações do gênero em seus últimos filmes, dedicado a dirigir e produzir o que sempre soube fazer com excelência: suspense. A escolha no fim das contas foi certeira.

O diretor combina a ação desenfreada com boas doses de sustos, mesmo que o resultado em tela tenha uma quantidade de violência gráfica nunca vista anteriormente em outra produção lançada pela divisão cinematográfica da Marvel – sem descambar para o banho de sangue abundante na série “The Boys”, da Amazon Prime. “Doutor Estanho 2” é desprovido de apelo infantojuvenil, palatável aos espectadores crescidos .

America Chavez (Xochitl Gomez), Wong (Benedict Wong) e Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (Foto: Divulgação)

Sam Raimi também compreendeu melhor que o antecessor o material original criado por Steve Ditko e Stan Lee. Não apenas recriando a psicodelia visual a um grau superlativo, mas abraçando sem nenhum pudor o quê de breguice proporcionado por uma história repleta de magos, criaturas sobrenaturais e cores berrantes. Isso se reflete no enredo e nas performances do elenco.

Entre os veteranos, Benedict Cumberbatch consegue entregar um desempenho irresistível como Dr. Stephen Strange, da mesma forma que Benedict Wong. E Rachel McAdams parece mais confortável em cena. Elizabeth Olsen, por sua vez, atinge uma atuação catártica. Xochitl Gomez, a novata do elenco, expressa segurança e presença mesmo dividindo o quadro com atores tarimbados. Os números até agora são positivos: em poucos dias em cartaz, o longa-metragem já atingiu U$$ 500 milhões em bilheteria. (Duração: 2h06; Classificação indicativa: 14 anos).

Livro: “Contra a moral e os bons costumes”, de Renan Quinalha

Capa do 'Contra a moral e os bons costumes', de Renan Quinalha.
(Arte:  Kiko Farkas/Divulgação)

Nesta obra lançada pela Companhia das Letras, o pesquisador, professor de Direito da Unifesp, advogado e ativista Renan Quinalha aborda as políticas e o histórico de práticas de repressão contra os grupos LGBT+ pelo regime militar estabelecido com o golpe de 1964.

Quinalha exemplifica o assunto com farta documentação da época para dissecar as violências praticadas pelo aparato militar, que incluíam perseguição e censura a veículos como “Lampião” e “Chana com Chana”, fechamento dos pontos de encontro da comunidade, prisões, espancamentos e tortura. Além de abordar a resiliência do movimento e a luta por direitos fundamentais. (416 páginas, editora Companhia das Letras, a partir de R$ 89,90)

Série: “Iluminadas”

“Iluminadas” (Apple TV+) pode ser mais uma entre tantas histórias sobre assassinos em série. Mas nenhuma outra do gênero é estrelada por Elisabeth Moss, Wagner Moura e Jamie Bell. A produção, que estreou recentemente, é uma adaptação do livro homônimo de Lauren Beukes – lançado no mês passado no Brasil pela editora Intrínseca, com um atraso de quase uma década desde sua primeira publicação. (Confira o trailer a seguir).

Nos últimos anos, a atriz se notabilizou por interpretar personagens densas, como June Osborne, a mulher que perde o direito ao próprio nome, submetida à privações e abusos em um regime fundamentalista, na premiada série “O conto da Aia”, ou na pele de Cecilia Kass, traumatizada após um relacionamento violento, no elogiado remake de “O Homem Invisível”. Desta vez, Moss dá vida a Kirby Mazrachi, que sobreviveu a um ataque quase fatal.

O agressor desconhecido nunca foi pego. Desde então, Kirby lida com sua própria sanidade à prova e as coisas ao redor dela são inconstantes. Ao invés de ter um gato de estimação, aparece um cachorro. Em outro momento, um homem chamado Marcus é seu marido, mas há pouco estava ainda isolada e solteira. Para piorar, Kirby se choca com mudanças comportamentais até de familiares. O único aspecto constante em sua vida é seu emprego como arquivista no jornal Chicago Sun-Times, ocupação que aproxima Kirby da ambição de virar repórter, adormecida devido ao trauma provocado pelo ataque.

Elisabeth Moss (Kirby) e Wagner Moura (Dan) em “Iluminadas” (Foto: Divulgação).

A descoberta de um corpo de uma jovem nos esgotos da cidade com ferimentos aparentemente idênticos, mas desta vez fatais motiva a arquivista a investigar a atuação de um assassino em série, apesar da cronologia impossível que ultrapassa décadas. Kirby soma forças com o colega repórter Dan (Wagner Moura), enquanto rastreia as pistas de seu próprio algoz e pará-lo antes da próxima vítima.

Reimaginada do original pela showrunner Silka Luísa, a série coloca os espectadores muito à frente da dupla. O assassino é apresentado logo no começo, em mais uma atuação inquieta e sagaz de Jamie Bell (“Rocketman”, “Skin”).

Jamie Bell é o serial killer misterioso Harper em “Iluminadas” (Foto: Divulgação).

A escolha pouco óbvia posiciona o centro das atenções na personagem cheia de nuances interpretada de forma ferozmente intensa, matizada e atenta por Elisabeth Moss, contrapondo o ritmo pulsante de thrillers do gênero. (Seis episódios; Classificação indicativa: 14 anos).

Música: “We”, novo álbum do Arcade Fire

Após cinco anos, a banda canadense está de volta com gravações inéditas. O disco sucessor de “Everything Now” recupera muito mais das marcas registradas do Arcade Fire em seu começo e rompe com a sonoridade apresentada na última década.

Arcade Fire em foto promocional do novo disco (Foto: Michael Marcelle/Divulgação).

Inspirado no clássico da ficção científica de Evegeni Zamiatin, “We” é composto por sete faixas divididas em duas partes. A primeira, “I” canaliza o medo e a solidão do isolamento, e o lado “We” expressa a alegria e o poder da reconexão. (Confira a faixa-título a seguir).

O novo álbum marca também a despedida de Will Butler do grupo. Mas isso não se traduz em excesso de nostalgia ao longo dos 40 minutos de duração, mas em momentos alternados e misturados de honestidade bruta, melancolia e euforia. (Columbia/Sony Music; Disponível nas plataformas de áudio).

Total
0
Shares
✶ Recomendado

Nós utilizamos cookies e tecnologias semelhantes. Ao continuar navegando, entendemos que você concorda com o uso desses recursos para aprimorar sua experiência neste site. Conheça nossa política de privacidade.