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Spitfire Demons: a ‘experiente’ nova banda que pretende movimentar o psychobilly brasileiro

Guitarrista e veterano da cena psycho nacional, Alex From Hell conta sobre a história, referências e expectativas do grupo, que acaba de lançar o primeiro single “Losing Control”.

Banda Spitifire Demons/Foto: Sid Pics

Guilherme Dorini, Tiago de Moraes

Alex From Hell não é um músico principiante. O guitarrista do power trio paulista Spitfire Demons ostenta uma trajetória respeitável na cena independente, incluindo um período como integrante da Kães Vadius, considerada uma das precursoras do psychobilly no país. Seus atuais colegas — o baixista e vocalista Maniac Biffs e o baterista Alan Rat Skate — também são veteranos no meio underground. Mas, com o Spitfire, os músicos têm enfrentado os desafios e desventuras de começar tudo outra vez.

A banda apresenta um trabalho autoral com forte influência das vertentes mais pesadas do psychobilly — mistura entre o punk rock dos anos 70 e o rockabilly norte-americano dos anos 50–, gênero que é objeto de devoção pelos integrantes.

“O Alan toca desde os anos 80, eu montei minha primeira banda em 1996 e o Biffs um pouco depois disso. E nós nunca paramos de tocar. Ao mesmo tempo em que era bom ser headliner nos festivais, agora, voltar para o fim da fila e crescer novamente, tem um gosto a mais, ter a oportunidade de mostrar um trabalho que você fez desde o começo”, conta Alex.

Com letras carregadas de ironia e humor mórbido característicos da vertente psycho, o repertório do Spitfire Demons apresenta ainda referências ao estilo surf music, em músicas mais instrumentais, assim como versões que buscam fugir do óbvio. Entre elas, faixas célebres da banda do já falecido Lemmy Kilmister, diversificando a sonoridade da banda a partir de outras nuances.

Em apenas dois anos de estrada, eles já participaram de dois festivais importantes da cena nacional do gênero, o Psycho Carnival e o Psychobilly Fest, ambos em Curitiba (PR), e abriram os shows de bandas conhecidas como Matanza Inc. e para os Zumbis do Espaço.

“Conheço o Donida [do Matanza] há anos. Quando eles fizeram o primeiro show em Belo Horizonte, a minha cidade, o grupo que eu participava na época abriu pra eles, isso antes do primeiro disco ainda. Quando eles marcaram o show no The House [em São Paulo], o Donida me chamou para fazermos a abertura. Foi um show excelente e um prazer tocar com eles”, relembra o guitarrista.

Paralelamente, Alex, Alan e Biffs aproveitaram o tempo para amadurecer a identidade da banda e estabelecer o repertório. O resultado desse esforço pode ser conferido no primeiro single do trio, “Losing Control”, lançado nas plataformas digitais no final do mês passado, e no vindouro EP de estreia, “Death from Above”, que vai contar com cinco faixas, algumas delas já testadas pelo público.

Começo

Alex conta que história do Spitfire começou em uma apresentação de rock. “Encontrei com o Biffs no show do Tiger Army [banda de psychobilly de Los Angeles] aqui em São Paulo e ele me disse que estava procurando gente pra montar uma banda. Quando o Reverendo Frankenstein [antigo grupo de Alex] acabou uns meses depois, mandei uma mensagem pra ele e começamos a procurar bateristas, até chegarmos ao Alan que já tinha tocado com ele no Krents”. O nome, aliás, só surgiu após a chegada do baterista.

“Estávamos procurando um nome que tivesse a ver com a gente e que soasse bem. Como o Alan é muito ligado em aviões de guerra, sugeriu Spitfire ‘alguma-coisa’”, entrega o músico.

Alex ainda explica que a maior parte das composições do grupo começam pela música e depois os três passam a pensar nas letras. “Às vezes surge no ensaio uma ideia de riff ou uma virada de bateria que serve de inspiração pra uma música nova. Mas a maior parte vem do Biffs mesmo”. Além dos ensaios, os músicos praticam bastante em cima de bases pré-gravadas. “O nosso repertório já é uma coisa bem natural para nós. Como a parte ‘mecânica’ já está no automático, ficamos mais à vontade em cima do palco, mais livres”.

Mesmo sendo uma banda psychobilly, o guitarrista do Spitfire Demons enumera que o trio gosta de buscar referências em outros gêneros e estilos, trazendo para o palco covers de músicas do Motörhead e Dead Kennedys, por exemplo. “Apesar da palhaçada com a turnê brasileira cancelada, Dead Kennedys é uma grande influência no meu estilo de tocar guitarra”.

Com o primeiro single lançado no mês passado, banda Spitfire Demons já abriu show para grupos como Matanza, Inc. e Zumbis do Espaço. (Foto: Sid Pics/Divulgação)

A versatilidade pode ser explicada pelos outros projetos que os integrantes de dedicam quando não estão se apresentando juntos. “O Biffs toca no Dope Times, uma banda nova de ska-punk. De vez em quando, reativo o Reverendo Frankenstein pra gravar algumas coisas, mas sem previsão de fazer shows. E o Alan também toca no Charlie Road, que é um projeto de hardcore que ele tem há muitos anos”, completa.

Cena psycho no Brasil

Conhecedor das mais diversas vertentes do estilo e com a experiência de mais de vinte anos de carreira, Alex From Hell acredita no renascimento da cena psychobilly, após alguns anos em baixa, por conta do término de algumas bandas tradicionais. “Aos poucos, tá crescendo novamente. A partir do surgimento de novas bandas, mais gente começa a frequentar os shows e festivais, o que ajuda a dar uma movimentada no cenário”.

Para aqueles que querem conhecer mais do psychobilly, o guitarrista indica alguns álbuns essenciais. “Eu gosto mais da primeira onda, nos anos 80, com mais influência de surf e rockabilly. O Biffs é muito fã das bandas da década de 90, com instrumental mais trabalhado, enquanto o Alan gosta mais das bandas americanas, com uma pegada que tende mais ao punk e hardcore. Para entender um pouco dessas três linhas, acho que vale ouvir Batmobile, Nekromantix e Wrecking Dead”.

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