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Como ficar recluso em casa ajuda a desacelerar a pandemia de coronavírus – e também pode salvar milhões de pessoas

Conter a rápida disseminação da doença covid-19 é o principal desafio das autoridades para evitar o colapso do sistema de saúde devido a alta demanda. E isso só é possível com menos pessoas circulando pelas ruas, explica o especialista da Universidade do Colorado em Boulder.

Número de casos confirmados de covid-19 passa de 350 mil em todo o mundo. (Foto: Freepik)

Matthew McQueen

De 20% a 60% dos adultos em todo o mundo podem estar infectados com o novo coronavírus Sars-Cov-2, o vírus que causa a doença covid-19. Essa é a estimativa dos principais especialistas em epidemiologia sobre as dinâmicas de doenças contagiosas. Mesmo o melhor dos cenários usando esses números indica que aproximadamente 40 milhões de adultos serão infectados apenas nos Estados Unidos.

Algumas pessoas podem começar a se sentir fatalistas diante desse tipo de estatística. Não há vacinas nem tratamentos específicos para pessoas que ficam doentes. Qual é o objetivo de lutar contra algo que está destinado a acontecer de qualquer maneira? Por que não deixar a epidemia seguir seu caminho?

Mas as autoridades de saúde pública e os profissionais médicos têm defendido esforços rápidos e decisivos para reduzir a transmissão do Sars-Cov-2 o mais cedo possível.

O objetivo é “achatar a curva”. Em vez de deixar o vírus atingir rapidamente a população e se acabar rapidamente, a ideia é espalhar essas infecções em um período de tempo maior.

Fonte: The Economist, Centers of Disease Control and Prevention; Arte: Tiago de Moraes/ZACHPOST

Sim, potencialmente prolongaria a epidemia. Mas, ao fazer isso, as agências de saúde pública e a infraestrutura de saúde ganham um tempo valioso para responder à crise .

Mais importante, “achatar a curva” oferece uma oportunidade para reduzir significativamente as mortes causadas pelo novo coronavírus.

No aumento acentuado da curva epidêmica, especialmente quando a capacidade de testes é deficiente, há um enorme fardo sobre os profissionais da saúde – muitos dos quais ficarão doentes e serão forçados ao isolamento, impossibilitados de prestar assistência àqueles que precisam. Ao mesmo tempo, há uma imensa pressão sobre os serviços de saúde, nos quais a demanda por atendimento ao paciente vai superar a capacidade – número de leitos hospitalares, ventiladores – por um período de tempo significativo.

Então, sim. Mesmo que todas as pessoas na Terra eventualmente contraiam covid-19, existem benefícios reais ao garantir que tudo isso não ocorra nas próximas semanas.

Como, então, as pessoas podem “achatar a curva” através da redução da transmissão do coronavírus? Atualmente, com muitas regiões dos EUA e de outros países vendo pessoas da comunidade espalhando covid-19 localmente, o mundo entrou em uma fase de mitigação para complementar os esforços para conter a disseminação da doença.

Como resultado, nos resta uma estratégia antiga, mas bastante eficaz: o distanciamento social. Isso significa ficar em casa, sem contato próximo em locais públicos lotados, evitar aglomerações e manter distância – aproximadamente dois metros – entre você e os outros quando possível.

O distanciamento social requer mudanças na maneira como as pessoas trabalham, vivem e interagem umas com as outras. Pode ser necessário cancelar ou evitar grandes eventos, limitar viagens não essenciais e remarcar reuniões.  As dinâmicas tradicionais em sala de aula podem ser obrigadas a mudar para o digital — o que já está ocorrendo em algumas instituições de ensino, embora seja mais difícil no caso das escolas de ensino fundamental e médio.

O distanciamento social pode acarretar em um custo econômico considerável, mas é a melhor solução para diminuir a propagação do novo coronavírus. Região da Av. Paulista em São Paulo com o comércio fechado, em 20 de março. (Foto: Roberto Parizotti)

Para ser claro, o distanciamento social acarreta em um custo econômico substancial, já que as pessoas não estão envolvidas nas mesmas atividades profissionais e vida que alimentam a economia como estavam um ou dois meses atrás. Assim, autoridades e oficiais de saúde pública enfrentam o desafio de equilibrar a demanda de saúde para “achatar a curva” com os desejos de minimizar os impactos econômicos.

Conforme a pandemia de covid-19 avança, especialistas em saúde pública no mundo todo estão coletando dados e divulgando informações o mais rápido possível, na tentativa de fornecer aos profissionais de saúde, laboratórios de pesquisa, agências de saúde pública e formuladores de políticas o conhecimento necessário para responder à ameaça emergente. Enquanto isso, uma das coisas mais importantes que as pessoas podem fazer pela saúde coletiva é ouvir os especialistas e seguir seus conselhos .

O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, comentou recentemente que “precisamos lembrar que com ações decisivas e precoces, nós podemos retardar o vírus e prevenir infecções”. Nós não vamos eliminar a covid-19. Mas ao não desistir, as pessoas podem ajudar a lidar com a crise mais cedo, impedindo que a doença sobrecarregue a capacidade dos sistemas de saúde.


Matthew McQueen é diretor do programa de saúde pública e professor associado de psicoterapia integrativa da Universidade do Colorado em Boulder.

AMPLIFICA é a seção de ZACHPOST que traz reportagens, análises e artigos cedidos por outros veículos nacionais e internacionais. Textos em outros idiomas são traduzidos pela equipe da publicação.

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